Da mapeamento de oportunidades à implementação de soluções: o trabalho com as equipas multidisciplinares na ULS Santa Maria
Ana Oliveira
Ao longo dos últimos meses, a Nobox desenvolveu dois projetos com o objetivo de fortalecer as equipas multidisciplinares de cancro da mama e da próstata no Hospital de Santa Maria, uma iniciativa promovida pela AstraZeneca.
Estes dois projetos, que contaram com o envolvimento ativo de doentes, cuidadores e profissionais de saúde de diferentes especialidades — Urologia, Cirurgia Geral, Ginecologia e Obstetrícia, Radioterapia, Radiologia, Anatomia Patológica e Oncologia Médica — já estão a demonstrar resultados.
Iniciámos o projeto com o desafiante objetivo de mapear toda a jornada dos doentes com cancro da mama e cancro da próstata no hospital. Para isso, conduzimos um trabalho de campo detalhado ao longo de vários meses, com mais de 40 entrevistas e observações de campo em diferentes serviços e especialidades, bem como dois focus groups com doentes.
Este trabalho permitiu identificar inúmeras oportunidades de melhoria. No entanto, era fundamental definir prioridades, refletindo sobre a complexidade de implementação de algumas soluções versus o impacto que poderiam ter, tanto na organização das equipas como nos resultados para os doentes.
Foi assim que avançámos para a cocriação. Em conjunto com as equipas, definimos atuar em quatro grandes eixos:
A partir destes quatro eixos, já numa fase de implementação, dinamizámos vários workshops presenciais com médicos das diferentes especialidades, criando momentos de discussão estruturada dos quais resultaram outputs concretos e ferramentas de trabalho para integrar no dia a dia dos serviços.
Os resultados já são visíveis, muitas vezes apenas pela aproximação que estas sessões promovem. Ao criarem espaços de reflexão fora do contexto habitual de decisão terapêutica, permitem repensar e redefinir formas de trabalho.
Este projeto tem vindo a transformar não só práticas clínicas, mas também a reforçar a coesão das equipas e o trabalho colaborativo.
Todos os nossos projetos de inovação clínica seguem uma abordagem baseada nos princípios de design thinking e service design, estruturada em três fases:
1 — Pesquisa e Imersão:
Através de entrevistas, observações e do envolvimento ativo dos doentes, recolhemos informação que nos permite identificar as causas profundas de problemas já conhecidos e descobrir necessidades que ainda não eram visíveis.
2 — Cocriação de soluções:
Após partilharmos com as equipas os principais achados de forma estruturada e organizada, desenvolvemos momentos de trabalho conjunto onde, com base nas oportunidades identificadas na fase anterior, definimos caminhos a seguir e idealizamos soluções.
3 — Implementação:
Depois de alinhado o caminho com as equipas, continuamos lado a lado no apoio à concretização das soluções. Ajudamos a refletir e a materializar o necessário, seja através de workshops estruturados, seja através da criação de outputs concretos, como protocolos ou novos fluxos de ação.
Esta metodologia, quando aplicada ao desenvolvimento de Unidades Multidisciplinares, permite-nos desenhar soluções ajustadas a cada contexto — reconhecendo que as necessidades variam entre ULS e entre hospitais. Ao mesmo tempo, garante que respondemos de forma mais concreta às necessidades não atendidas de doentes e cuidadores.
Mas, sobretudo, permite-nos construir em conjunto: envolver os profissionais não apenas na identificação dos problemas, mas também na definição e apropriação das soluções, promovendo um maior sentido de responsabilidade e compromisso com a mudança.
Ana Oliveira
Head of Clinical Service Design